Adaptado do texto encontrado no endereço: http://g1.globo.com/pernambuco/vestibular-e-educacao/noticia/2012/09/rede-social-educativa-e-destaque-em-congresso-de-tecnologia-no-recife.html
"Existe uma necessidade social que não pode ser ignorada pelos educadores.
Precisamos adaptá-la para as salas de aula. Os próprios professores não
utilizam as redes sociais entre si. Se conseguíssemos incluí-las já no
currículo da formação inicial dos docentes, seria ideal. A vida da escola não
pode ser separada da nossa vida social. Uma faz parte da outra", opina a
sergipana Rosana Cavalcanti Maia Santos, 24 anos, mestranda em Educação para as
Ciências e graduada em Física pela Universidade Estadual Paulista Julio de
Mesquita Filho (Unesp).
Com a polêmica gerada em razão do "Diário de
Classe", elaborado pela estudante Isadora Faber, de 13 anos, que
conseguiu, por meio das redes sociais, pressionar o governo para conseguir
melhorias importantes em sua escola, desde o final de agosto, o tema foi um dos
destaques do evento. O sucesso da iniciativa da aluna, que conseguiu uma
reforma de emergência na escola onde estuda e uniu pais, alunos e professores,
tem servido de inspiração para crianças, adolescentes e jovens de todas as
partes do país.
O grande desafio na utilização das redes sociais para integrar a relação entre
alunos e professores ainda é a falta de conhecimento dos próprios educadores e
dirigentes das escolas que, em geral, não sabem usar as ferramentas em favor da
educação. "O professor não é mais o único detentor da informação. Ele tem
de aprender a conviver com isso e precisa ter a noção de que não sabe tudo. É
uma área que ainda terá muitos desafios pela frente", diz Rosana.
Bacharel em Física, Maia relatou à reportagem do G1 que,
inclusive, já recebeu reprimendas em razão de ter usado a tecnologia para
inovar em sala de aula. "A diretora da escola bloqueava o uso que eu fazia
de tecnologias com os estudantes, por exemplo. Uma vez quis fazer uma aula
interdisciplinar. Apresentei um powerpoint e um vídeo, explicando como era
feita a curva num chute de uma partida de futebol, para sete alunos que estavam
na recuperação e já não aguentavam mais fazer as mesmas questões. Levei uma
bronca por conta disso", afirmou.
A resistência ainda é um empecilho para os que
querem inovar --mas a inserção no mundo das redes sociais é um caminho sem
volta, segundo o especialista no assunto, Alex Sandro Gomes, Doutor em Ciências
da Educação pela Universidade de Paris V, Mestre e Especialista em Psicologia
Cognitiva pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e graduado em
Engenharia Elétrica também pela UFPE. "Para a escola continuar
desenvolvendo o conhecimento das pessoas, terá de se apropriar deste novo
artefacto".
"Em primeiro lugar o professor tem de se apropriar da situação. E por que
há a adesão nas redes sociais? Porque as pessoas criam grupos. É preciso criar
uma relação didática com a comunidade. Ao criar uma rede de relacionamentos, eu
posso dispor de material informal antecipadamente que vai ser passado nas
próximas aulas. Se eu fizer isso, já crio uma consciência e um novo canal de contato
com o aluno. Sem falar que posso permitir que os alunos tragam novos materiais.
E posso deixar que eles discutam os temas depois das aulas. Assim, o professor
legitima o papel do estudante na aprendizagem", aponta o estudioso.
"Na sala de aula, a comunicação é de um (professor) para muitos (alunos).
As redes sociais devem proporcionar formas de comunicação que aproximem
professores e alunos. Atualmente, todos precisam, juntos, aprender a aprender.
A mediação do professor em redes sociais tem um papel diferente. É possível se
trabalhar no foco dos problemas e dúvidas com o monitoramento. Agindo com mais
ênfase, por exemplo, no que a turma mais precisa (e de acordo com as
notas)".
Dispersão dentro e fora da sala de aula
Em rede sociais genéricas, como o Facebook, o Twitter, o Pinterest e o app
Instagram, o especialista desaconselha o uso de materiais das aulas pelo risco
da dispersão. "Aconselho o uso de redes sociais como a Redu, totalmente
voltada para fins educativos. Quando um aluno usa a sua conta pessoal, do
âmbito privado, vai estar se comunicando e compartilhando informações com todas
as outras relações dele. Isso gera a dispersão", explica Alex.
Com relação ao excesso de exposição e à falta de privacidade, que podem
interferir na relação entre professor e aluno, Maia também concorda que há
limites. "Acho que, antes de se criar essa relação, é preciso impor
limites e respeito em relação ao professor. Eu faria um perfil exclusivo meu
para lidar com os alunos, separando-os da esfera da minha vida pessoal. Se
misturar tudo, acredito que fica um pouco complicado. A relação via redes
sociais é favorável, mas é preciso ter limites", diz.
Vantagens das redes sociais
Confira algumas das vantagens apontadas pelo professor Alex Sandro Gomes,
palestrante do congresso, no uso de redes sociais em sala de aula:
1) As redes sociais educativas permitem que o professor monitore as atividades
em sala de aula e acompanhe melhor o rendimento dos alunos, de acordo com as
disciplinas que eles estão tendo mais dificuldade ou se dando melhor;
2) As redes sociais educativas permitem ao professor ser o autor do seu
planejamento. O professor é um mediador. E a tecnologia tem de permitir que ele
seja um autor deste conteúdo também. O docente deve organizar melhor as sequências
de aulas e materiais;
3) As redes sociais educativas ajudam no desenvolvimento da autonomia entre os
estudantes (também chamada de auto-regulação). Neste ambiente, o aluno
experimenta uma diversidade de situações e precisa aprender que é preciso ter disciplina
para exercitar essa autonomia.